


MANIFESTO
sua arte em presença
Escrevo aos artistas. Logo, a todos. A quem quiser ler. Ou vir. Escrevo por uma ressignificação da arte. E, sim, o medo ainda me acompanha para aqui escrever. Pois quem sou eu para afirmações ou negações daquilo que é todo um mistério do ilimitado passado e futuro, já tão vivenciado, experienciado, estudado? Mas escolho outro caminho. Que aceita o medo sem fazer dele um impedimento. Pois é exatamente sobre isso meu manifesto:
Manifesto por uma afinação entre Arte e Espiritualidade.
E sei que não estou só. Pois vejo e sinto muitos artistas nesse intento e me manifesto por ser necessária uma rede entre nós. Uma rede de intencionalidade para ressignificar crenças e atitudes que ainda impedem que a arte, em nossa sociedade, esteja a serviço do amor e da liberdade. Pois vejo, muitas vezes, a arte com seu poder distorcido, a serviço do sofrimento - o que pode estar mascarado das formas mais belas e sedutoras, desde as mais cultas até as mais comerciais... Mas não há mais tempo para isso. É tempo de percebermos e assumirmos a arte que se manifesta para machucar - seja a si, ao outro ou ao meio onde vivemos.
•Arte não é para machucar;
•Arte não é para julgar / humilhar / deslegitimar;
•Arte não é para competir
e tentar se mostrar superior ao outro - ou inferior;
•Arte não é para abusar do outro;
•Arte não é para manipular o outro
(naquela sedução que quer tudo para si,
tirando tudo do outro).
Se falo tanto "do outro", se faz escancarado: essa arte embasada em sofrimento - e propagadora do mesmo - é pura dependência, uma vez que o parâmetro é sempre o outro.
E é tempo de nos recriarmos, considerando o outro a partir de outro viés:
°Arte pode ser Alteridade;
°Arte pode ser um Estado de Presença;
°Arte pode ser um caminho de Autoconhecimento,
considerando nosso corpovoz como aliado
na saga de nos conscientizarmos de quem somos;
°Arte pode ser nosso potencial criativo a serviço de materializar o amor;
° Arte pode ser o princípio feminino em nós,
ancorando pertencimento e respeito pela Terra
ao expandir nossa escuta, recepção, aceitação
e compreensão enquanto corpo material.
Para tanto, podemos brincar que nossa primeira lei é:
"não existe erro".
Se o jogo é ser livre, não faz sentido se, atormentados pelo medo de errar, impedirmos nossa livre expressão, nos tolindo em virtude de uma ideia do que é certo ou errado. O que pode existir, considerado como erro, seria apenas uma falta de escuta, convocando-nos outra vez à presença.
Esclareço também que este manifesto não visa julgar qualquer tipo de fazer artístico alheio, mas, antes de tudo, olharmos para nós mesmos, para nossos processos criativos e criações, e darmos um passo em direção a uma conscientização e ressignificação interna, que reverbere no externo.
Se assim revelada, a Arte pode ainda nos ensinar um modo de vida, uma possibilidade social, na qual ao nos alinharmos com nós mesmos e nosso propósito, queremos e trabalhamos pelo alinhamento do outro, seu brilho e potencial ativo, permitindo todo nosso amor em movimento.
Trata-se, sobretudo,
de um redirecionamento
do nosso prazer:
Da dor; prisão; dependência; abuso de poder; posse; submissão; agressão; vaidade/apego à aparência; sofrimento
redirecionado para o prazer em:
LIBERDADE, AMOR, UNIÃO, ESPONTANEIDADE, REVELAÇÃO, DOAÇÃO, ESCUTA, SAÚDE, AUTO-VALOR E AMOR PRÓPRIO.
Assim, manifesto meu intento de nos unirmos. Nessa rede, podemos sentir aquele tão quisto amparo, nossa irmandade. Porque nesse estudo constante, eu posso cair, assim como qualquer um, mas se estamos amparados por uma união intencional, talvez tudo possa ficar mais fluido, mais prazeroso, mais amoroso.
ARTE A SERVIÇO DO AMOR E DA LIBERDADE
A quem quiser ouvir,
a quem quiser criar,
a quem quiser brincar.
Isabella Dragão
maio de 2017
